Existe uma tensão pouco discutida na formação em psicologia clínica: aprendemos muito sobre o paciente, mas relativamente pouco sobre nós mesmos como profissionais em ação. Embora estudemos teorias, modelos de intervenção e categorias diagnósticas, o cotidiano da clínica é atravessado por experiências que raramente encontram espaço para reflexão.
Este grupo de estudos clínicos parte de uma pergunta simples: quem é o terapeuta quando está diante de seu paciente? Mais do que aprofundar conceitos, o percurso de oito encontros ao vivo convida à reflexão sobre a experiência clínica, seus dilemas e seus limites, fortalecendo uma prática mais consciente, ética e humana.
4 motivos para participar do grupo

Os Desafios clínicos
A clínica coloca perguntas que a formação
nem sempre responde
Aprendemos a compreender o sofrimento do outro, mas nem sempre a complexidade do encontro clínico.
Muitos profissionais:
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Enfrentam impasses clínicos
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Sustentam decisões difíceis
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Sentem os limites da técnica
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Carecem de diálogo clínico
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Encontram espaço para elaborar
Programação
Encontro 01
04/08 \ 19:30
O que funda a relação
O que produz mudança terapêutica não é a técnica, mas a qualidade do vínculo. Empatia, congruência e consideração positiva incondicional são as condições que sustentam a transformação.
Carl Rogers
ROGERS, C. R. The necessary and sufficient conditions of therapeutic
personality change. Journal of Consulting Psychology, v. 21, n. 2, p. 95-103, 1957.
Encontro 02
11/08 \ 19:30
O amor na transferência
O amor do paciente pelo terapeuta é real, mas sua origem é clínica e é por isso que correspondê-lo seria uma traição ao tratamento. A abstinência mantém o espaço terapêutico como lugar de elaboração.
Freud
FREUD, S. Observações sobre o amor de transferência (1915). In: Obras Completas, vol. 12. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
Encontro 03
18/08 \ 19:30
O que o terapeuta sente
O terapeuta pode odiar o paciente em certas circunstâncias, e negar esse sentimento é clinicamente perigoso. Reconhecer o ódio é o que impede que ele governe a clínica.
Donald Winnicott
WINNICOTT, D. W. O ódio na contratransferência (1949). In: Textos Selecionados: da Pediatria à Psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar, 2000.
Encontro 04
25/08 \ 19:30
O dinheiro
Falar sobre honorários não é um detalhe burocrático, é parte do tratamento. A gratuidade, longe de ser generosa, pode ser clinicamente prejudicial.
Freud
FREUD, S. Sobre o início do tratamento (1913). In: Obras Completas, vol. 10. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
Encontro 05
01/09 \ 19:30
O que o terapeuta
não vê e o que não suporta ver
Dois movimentos opostos: os efeitos invisíveis e duradouros do trabalho clínico, e os limites do que o terapeuta consegue suportar diante da morte de um paciente.
Irvin Yalom
YALOM, I. D. Criaturas de um Dia. Rio de Janeiro: Ediouro, 2015. (Caps. 4 e 8: "Obrigado, Molly" e "Adquira sua própria doença fatal: homenagem a Ellie")
Encontro 06
08/09 \ 19:30
Poder e assimetria
O encontro clínico não é neutro: é estruturado por um regime de poder e saber que precede qualquer boa intenção. O paciente já chega constituído como objeto de um olhar especializado.
Michel Foucault
FOUCAULT, M. O Nascimento da Clínica (1963). Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2011.
Encontro 07
15/09 \ 19:30
O que é curar
A eficácia da cura não está na técnica, mas na crença do curador em si, do paciente no curador e do grupo em ambos. A cura é um fenômeno simbólico e narrativo.
Claude Lévi-Strauss
LÉVI-STRAUSS, C. O feiticeiro e sua magia. In: Antropologia Estrutural (1949). Rio de Janeiro: Cosac Naify, 2008.
Encontro 08
22/09 \ 19:30
O fim
Um balanço honesto sobre os limites do que a clínica pode alcançar e sobre o que significa terminar um processo terapêutico sem que tudo esteja resolvido.
Freud
FREUD, S. Análise terminável e interminável (1937). In: Obras Completas, vol. 19. São Paulo: Companhia das Letras, 2018.

Mateus Souza
Professor convidado
Professor, psicoterapeuta e supervisor clínico. Mestre em Ensino, História e Filosofia das Ciências e doutorando em Sociologia (UFBA). Atua no ensino de modelos de intervenção contextuais e coordena o grupo de estudos Clinicar no Tempo Presente, dedicado ao diálogo entre clínica, filosofia e sociologia contemporâneas.




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